sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Caldeirão de Aço - Semana 11 - Hora da transição - publicado originalmente no Jornal A Tarde do dia 27.02.2020


Invicto e líder do Campeonato Baiano, com três triunfos em cinco partidas, o Bahia vai encarar o maior desafio até o momento no ano com o seu chamado grupo de transição: o Ba-vi do próximo domingo, quando a equipe comandada por Dado Cavalcanti buscará se isolar na liderança do estadual, já que tem os mesmos 11 pontos do rival. Chance de ganhar de vez a confiança da torcida. 

O Bahia buscará vencer o primeiro Ba-vi do ano em partida que acontecerá no estádio do rival. Enquanto o grupo principal entrou em campo ontem no Paraguai, contra o Nacional, pela Copa Sul-Americana, o grupo de transição não atua oficialmente desde o dia 9 de fevereiro, quando venceu o Jacobina, de virada, na casa do adversário, por 3 a 1.

Nesse intervalo, o grupo principal jogou quatro partidas, incluindo a de ontem. Contra o Nacional, duas vezes, Ceará e CSA. Em uma delas, contra o time cearense, uma das peças do grupo de transição foi acionada. O centroavante Saldanha estreou com a camisa 99 no grupo principal, jogando poucos minutos. Artilheiro do Baiano sub-20 de 2019, Saldanha desencantou na rodada passada do estadual, contra o Jacobina, em sua melhor atuação no ano. 

Os oito gols marcados pelo Tricolor no estadual foram bem distribuídos e apenas o meio-campista Ramon, um dos destaques do time, marcou mais de uma vez, com dois gols marcados, ambos de pênalti. Gustavo, Caíque, Régis Tosatti, Ignácio, e Willean Lepo fizeram os outros cinco gols.

A escalação para o clássico ainda não está definida, mas o time não sofreu muitas alterações por opção técnica durante os cinco jogos anteriores. Os laterais Lepo e Mayk, os zagueiros Ignácio e Anderson Jesus, os meio-campistas Édson, Arthur Rezende e Ramon e os atacantes Gustavo e Saldanha parecem ser donos de suas posições. 

O goleiro Mateus Claus deixou boa impressão nas duas partidas em que atuou, únicas em que o time não sofreu gol, mas Fernando Castro parece contar com a preferência do treinador Dado Cavalcanti, que o reconduziu à titularidade, depois de ter sido acionado para o banco de reservas do grupo principal no momento em que Douglas estava suspenso.

A outra vaga que parece ter concorrência é a que foi ocupada por Gabriel Esteves ou Alesson nos primeiros jogos. Fessin e Régis Tosatti também são opções para essa posição de atacante pelos lados. Régis Tosatti, inclusive, pode ser a novidade na escalação, depois de ter sido importante para a virada contra o Jacobina, saindo do banco, com boa atuação e gol.

No Campeonato Baiano, já atuaram até agora também outros jogadores como o lateral-direito Lucas Rodrigues, o zagueiro Fábio Alemão, os volantes Yuri, Luciano Buiu e Caio Mello, o meia-atacante Cristiano e os atacantes Caíque e Fernandão, único do grupo principal a atuar na competição. O centroavante pediu para jogar contra a Jacuipense para adquirir ritmo de jogo.

Continuo tendo a posição pessoal de que os Ba-vis deveriam ser sempre disputados com os elencos principais dos clubes. Não por desconfiança desse grupo de transição, que já mostrou boas atuações e bons valores, mas por uma ideia de valorização do clássico e do estadual. No entanto, acredito e torço por uma boa atuação e um grande triunfo no domingo. 

publicado originalmente no Jornal A Tarde do dia 27.02.2020

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Caldeirão de Aço - Semana 10 - A camisa 10 - publicado originalente no jornal A Tarde do dia 20.02.2020


Desde a saída do meia Eric Ramires para o Basel, da Suíça, em setembro do ano passado, a camisa que mais mexe com o imaginário popular estava vaga no elenco principal do Bahia. O período de vacância durou até o início da semana, quando o meia Rodriguinho foi anunciado e apresentado no CT Evaristo de Macedo, com a incumbência de ser o novo camisa 10 do Esquadrão.

Durante quase seis meses, apenas o meio-campista Ramon, destaque do grupo de transição, atuou em jogos oficiais com a camisa, no Baiano, em que o clube não vem adotando numeração fixa. Na Copa Sul-Americana, a responsabilidade é do meio-campista Daniel, número 8 no restante das competições. Na estreia continental, contra o Nacional do Paraguai, ele foi para o banco de reservas, mas não atuou.

Se a divulgação da camisa a ser usada pela maioria dos jogadores demora a acontecer depois de oficializada a contratação, no presente caso o número praticamente precedeu o anúncio do jogador, como pôde ser visto no vídeo oficial do clube, utilizado para informar que o Bahia já tinha um novo 10.

Curioso é que o jogador viveu até hoje os melhores momentos da carreira, no Corinthians, quando conquistou dois Brasileiros (2015 e 2017), sendo um dos protagonistas do segundo, usando outra camisa, a 26, ocupada no Bahia por um dos principais destaques do elenco, o volante Gregore. No Cruzeiro, atuava com a 23.

Mesmo que não tenha o costume de usar esse número, é inegável que o meia parece talhado para a missão. A maioria das torcidas do Brasil gostaria muito de ter um Rodriguinho para chamar de seu, afinal “está faltando um camisa 10” é uma das afirmações mais frequentes nas arquibancadas pelo país. Que ele não seja, entretanto, refém da grande expectativa gerada pela contratação e possa mostrar toda a qualidade da melhor maneira possível para o time.

Antes de Eric Ramires, antecessor de Rodriguinho, a camisa 10 do Bahia era trajada por Zé Rafael, que jogava mais pelos lados, e que recebeu o número depois de uma excelente primeira temporada com a camisa 18 (mesma mudança que aconteceria com Eric Ramires no ano seguinte).

Zé Rafael, em 2018, deve ter sido o primeiro camisa 10 do Bahia, em anos de numeração fixa, a completar uma temporada com regularidade e destaque, desde Iranildo, no Brasileiro de 2000. Durante esse intervalo de 18 anos, entre Iranildo e Zé Rafael, apontaria Geraldo, em 2002, Robert, em 2004, e Morais, em 2010, como aqueles que mais fizeram jus ao número mítico. Nos anos em que eles brilharam, entretanto, o Tricolor não usava a numeração fixa.

O primeiro 10 que acompanhei no Bahia foi Zé Carlos, fundamental para a conquista do segundo título brasileiro, que completou 31 anos ontem. Zé Carlos terminou como artilheiro do clube e atuou em todas as partidas. Em apenas uma não vestiu a 10, pois entrou durante o jogo. 

Não demorou muito e outro camisa 10 passou a encantar. Luís Henrique, um dos grandes destaques do Brasileiro de 1990, em que o Tricolor foi semifinalista. Assim como Zé Carlos, Luis Henrique também chegou a ser convocado para a Seleção enquanto jogava no Bahia.

Uéslei, marcado por outras camisas, como a 11 e a 8, também honrou o número 10. Em 1994, ano do gol de Raudinei, em que o Bahia chegou às quartas de final do Brasileiro, era com o simbólico número que ele se apresentava.

publicado originalente no jornal A Tarde do dia 20.02.2020

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Caldeirão de Aço - Semana 09 - Heróis - publicado originalmente no Jornal A Tarde do dia 13.02.2020


O Bahia entrou em campo ontem, contra o Nacional, do Paraguai, pela primeira fase da Copa Sul-Americana, em uma data histórica para o clube. O dia 12 de fevereiro tem, inclusive, ligação com o futebol continental. Exatos 31 anos antes, o Tricolor conquistou a vaga pela terceira vez – e mais recente - para a maior competição do continente: a Libertadores. Torneio que o clube disputou em 1960, 1964 e em 1989, quando ficou entre os oito melhores.

As catracas da antiga Fonte Nova registraram oficialmente 110.438 pessoas, naquele domingo de 12 de fevereiro de 1989, sendo o maior público da história do estádio. Após triunfo, de virada, sobre o Fluminense, por 2 a 1, com gols de Bobô e Gil, a torcida comemorou a passagem para a decisão do Brasileiro e a vaga na Libertadores. Na próxima semana, no dia 19, também se completarão 31 anos de um feito ainda mais impactante na história do clube, quando aqueles mesmos guerreiros fizeram brilhar a segunda estrela que tanto orgulha os tricolores.

 Depois de um novo emocionante triunfo de virada, na Fonte, com dois gols de Bobô, os jogadores tricolores, na maioria formados nas divisões de base ou com passagens por outros clubes baianos, conseguiram um empate sem gols com o Inter no Beira-Rio e garantiram o título. Se em 2020, o carnaval ainda irá começar, em 1989, aqueles heróis inesquecíveis decretaram uma segunda edição da folia, melhor do que a primeira. A conquista me emociona até hoje e marcou tanto a minha vida e até mesmo a minha formação profissional que escrevi até um livro sobre o tema. 

Faço questão de agradecer e valorizar sempre todos os envolvidos, desde o comandante Evaristo de Macedo até os jogadores como Bobô, decisivo principalmente na fase final, Zé Carlos, artilheiro no certame, Charles, revelação fundamental, Paulo Rodrigues, termômetro do time, Ronaldo, que fechou o gol na fase final, e todos os outros heróis, como Gil, Paulo Robson, João Marcelo, Claudir, Marquinhos, Tarantini, Sandro, Edinho, Pereira, Newmar, Osmar, Sidmar, Dico, Sales e Renato.

Alerta –
O próximo compromisso do Bahia será contra o Ceará, no sábado (15/2), na casa do alvinegro, primeiro adversário do ano que faz parte da Série A. A partida é fundamental para o futuro do clube na Copa do Nordeste, já que as equipes do mesmo grupo não se enfrentam na primeira fase. Por isso, é importante estar sempre posicionado na zona de classificação, pois não há a possibilidade do confronto direto e as outras equipes da chave não tiram obrigatoriamente pontos umas das outras. 

As chances de recuperação, portanto, podem ser reduzidas. E hoje, mesmo a apenas um ponto do líder, o Bahia não está entre os quatro melhores do grupo, figurando em sexto. Fundamental se faz, então, voltar logo ao grupo de classificados, para chegar às rodadas finais da fase com a classificação garantida ou dependendo apenas dos próprios resultados. Não há mais espaço para patinar.

Já o elenco de transição vive um momento diferente. Líder do Baiano, o Bahia só volta a jogar no dia 1º de março, quando buscará vencer o primeiro Ba-Vi no ano, dessa vez na casa do rival. Resta saber se o elenco de transição retornará justamente no clássico, ou aguardará mais uma semana, para encarar o Doce Mel, na Fonte.  

Mesmo com a liderança e os elogios que merecem o treinador Dado Cavalcanti e os jogadores, vários outros fatores deverão ser levados em consideração para que seja tomada a decisão sobre o plantel que representará o clube no clássico da volta do Baiano.

publicado originalmente no Jornal A Tarde do dia 13.02.2020

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Caldeirão de Aço - Semana 08 - Carrascos - publicado originalmente no Jornal A Tarde do dia 06.02.2020


O clima de clássico já está no ar, afinal o primeiro Ba-Vi do ano acontecerá no próximo sábado (8/5), na Fonte, pela Copa do Nordeste. A torcida já está na expectativa e na corrente positiva pelo triunfo. E os dois centroavantes do elenco principal conhecem bem o caminho das redes nos Ba-Vis. Fernandão fez quatro gols em seis clássicos disputados. Enquanto Gilberto tem a mesma média de gols contra o Vitória, marcando dois em três jogos.

Todos os tentos de Fernandão foram marcados na temporada de 2013, ainda em sua primeira passagem pelo clube, quando atuou cinco vezes contra o rival. No ano passado, em seu regresso, esteve em campo apenas por pouco mais de 10 minutos no primeiro clássico da temporada. 

O repertório de gols dele inclui um desvio para as redes, com o pé, após cruzamento, um de pênalti e um entrando cara a cara com o goleiro e tirando do alcance dele, todos com o pé direito. Além de um de pé esquerdo, aproveitando rebote do arqueiro e mandando uma bomba sem defesa.    

Já Gilberto tem apenas três clássicos disputados entre 2018 e 2019, e balançou as redes duas vezes. Em seu primeiro Ba-Vi, o camisa 9 fez um de pé esquerdo, aproveitando cruzamento rasteiro bem próximo da pequena na área, em uma goleada por 4 a 1. No segundo clássico, já em 2019, fez um lindo gol de bicicleta.

A história do Bahia é repleta de jogadores que assumiam o papel de carrascos do rival. O atacante Carlito, por exemplo, sempre lembrado por ser o maior artilheiro do Tricolor, com 253 gols. Quando o assunto é clássico, ele também sempre foi especialista, balançando as redes do rubro-negro por pelo menos 21 vezes. Nonato, Marcelo Ramos, Uéslei, Bobô, Cláudio Adão, Beijoca são outros nomes que sempre vêm à minha mente quando o assunto é balançar as redes do rival. 

As atenções nos clássicos geralmente estão voltadas naturalmente para os jogadores do setor ofensivo, mas os Ba-Vis também são palco para os heróis improváveis, como o volante Fahel, que balançou as redes pelo menos quatro vezes contra o rival, incluindo, três gols em decisões de Campeonato Baiano, em 2012 e 2014. Que os volantes do atual elenco se inspirem. Um deles, Élton, por sinal, também já fez gol de título, na final do estadual de 2018. 

Como já virou costume nesse ano, o Bahia voltará a campo no dia seguinte ao clássico. Dessa vez, o elenco treinado por Dado Cavalcanti enfrentará o Jacobina, na casa do adversário, pelo Baiano. A liderança da competição escapou na rodada passada nos acréscimos, quando sofreu o gol de empate da Jacuipense, em jogo em que teve o domínio durante quase todo o tempo, mas deixou de ampliar o placar.

Além de conquistar o estadual, com ou sem auxílio do time principal, o chamado elenco de Transição tem a função de revelar e lapidar peças que possam vir a ser importantes para o elenco treinado por Roger Machado. Até o momento, depois de quatro partidas, o atacante Gustavo e os meio-campistas Ramon e Arthur Rezende despontam como principais candidatos a tal promoção.

Os três, inclusive, estão entre os sete jogadores do elenco de transição que foram inscritos pelo clube na Copa Sul-Americana. Além deles, o lateral e volante Willean Lepo, o zagueiro Ignácio e os goleiros Mateus Claus e Fernando estão na lista. A competição continental começa para o clube na próxima quarta-feira (12/2), quando enfrenta, na Fonte, o Nacional, do Paraguai.  

publicado originalmente no Jornal A Tarde do dia 06.02.2020